Foto: Arquivo pessoal
Com o advento das novas tecnologias compartilhar é a palavra chave. Com a internet, a arte, agora é mais difundida. E se antes a leitura de obras literárias era restrita para quem não tinha acesso a uma biblioteca pública ou para quem tivesse condições financeiras de adquirir um livro, hoje, com as novas mídias sociais, só não lê quem não quer. E foi aproveitando os recursos de compartilhamento da blogosfera, que o poeta paraense Rodolpho Moraes resolveu criar o seu próprio domínio na net. Ele é um poeta blogueiro.
Rodolpho Moraes escreve desde a infância. Seu maior incentivo foi a avó Dora. Ela o presenteava com poesias escritas em pequenos pedaços de madeiras. “Essa influência de minha avó foi fundamental para todo esse processo poético da minha vida, pois pouquíssimas pessoas sabem da importância desses presentes para mim. Eu simplesmente achava belo a capacidade dela de ser simples e profunda, e ao mesmo tempo, delicadíssima com seus sentimentos. Além disso, meus pais sempre foram e são inspiradores. Tiveram o cuidado de me apresentar filmes, livros, músicas, artes em geral que, sem sombra de dúvidas, me levaram a ter essa vontade de fazer arte, de ser arte”, revela.
Já na vida adulta, quem deu o pontapé inicial para a carreira do poeta, inclusive incentivando-o a criar um blog, foi o também poeta, escritor e jornalista Ronaldo Franco. “Ele é o meu ‘manoamigo’. Foi o Ronaldo Franco que me alfabetizou e incentivou a publicar minhas composições. O Ronaldo foi o cara que, com seu jeito peculiar de ser, tal como um pai, me encorajou e me chamou de poeta pela primeira vez. Ele apresentou para mim autores, versos, prosas, vídeos e acima de tudo caminhos pelos quais eu poderia crescer poéticamente. Ele me mostrou a importância de lapidar meus próprios versos e a compreender que a poesia é um processo livre da alma”.
Foi em 2011 que o poeta criou o seu blog. Ele enxergou, através do exemplo do site do amigo Ronaldo Franco, a força que tem a internet para quem expressa os seus sentimentos por meio da escrita. “O bacana desse história é que o Ronaldo tem mais que o dobro da minha idade e usa o mundo virtual de uma forma extraordinária. Ele é o sessentão com a cabeça mais jovem que eu conheço”.
Para Rodolpho o retorno dos internautas é muito positivo. “Confesso que, no início, até me assustei com a rapidez desse retorno, pois a velocidade e a chance de estar no mundo inteiro tão rapidamente, me fascina e me inspira a produzir sempre mais”.
Rodolpho acredita que, a partir do momento em que as poesias são compartilhadas, “o mundo passa a ser o dono”. “Mesmo que seja aquele mundo ínfimo, de duas, ou dez pessoas que leiam a sua obra. A autoria, essa sim, é minha, mas a composição em si, suas interpretações, seus sentimentos, suas consequências, seus limites passam a ser desse mundo, ou seja, de todos que a lêem”.
As poesias de Rodolpho Moraes refletem tudo o ele que vive. Para o poeta elas (as poesias) são livres para existir. “Elas são atemporais para chegar e sair, são meros reflexos de mim e do que vejo, do que sinto e do que amo, do que desejo e do que odeio, são farpas da alma, são o desconexo do que ainda não compreendo e acima de tudo são o meu alívio, minha forma mais pura de relaxar e tornar-me verdadeiramente eu”, revela.
